Impactado pela acumulação de estoques portuários e retração na demanda chinesa, o minério de ferro finalizou a semana apresentando movimento de baixa, mesmo com o anúncio da China sobre a manutenção dos seus programas de licenciamento para exportações siderúrgicas.
Na Bolsa de Commodities de Dalian (DCE), o contrato mais negociado de minério para entrega em maio registrou valorização de 0,71% na sessão desta sexta-feira, alcançando 783 yuan (equivalente a US$111,74) por tonelada métrica, embora tenha apresentado retração semanal de 0,06%. Em contrapartida, o contrato referencial de janeiro na Bolsa de Cingapura experimentou declínio de 0,62%, com cotação de US$104,7 por tonelada.
Em comunicado divulgado nesta sexta-feira, autoridades chinesas confirmaram que manterão a regulamentação sobre a produção de aço bruto e continuarão proibindo adições não autorizadas de capacidade produtiva entre os anos de 2026 e 2030. Esta estratégia segue na mesma linha do sistema de licenciamento implementado em 12 de dezembro, mecanismo criado para controlar as exportações de aço visando a estabilização dos preços, após o país receber críticas internacionais relacionadas ao excesso produtivo.
Durante pronunciamento na quinta-feira, Tadashi Imai, presidente da Federação de Ferro e Aço do Japão, expressou ceticismo quanto à eficácia do sistema de licenciamento como solução para os desafios do setor. O Japão, posicionado como segundo maior exportador mundial de aço, tem manifestado críticas às companhias chinesas, alegando que estas são beneficiadas por subsídios governamentais que estimulam produção excessiva e exportações a preços artificialmente reduzidos, prejudicando as condições do mercado internacional.
Dados compilados pela SteelHome revelam que as reservas totais de minério de ferro nos terminais portuários chineses elevaram-se em 2,26% em comparação à semana anterior, totalizando aproximadamente 148,8 milhões de toneladas até o dia 26 de dezembro. Paralelamente, conforme levantamento da consultoria Mysteel, os estoques dos cinco principais produtos de aço carbono mantidos pelas usinas siderúrgicas da China reduziram-se para 14,5 milhões de toneladas até 25 de dezembro, representando o patamar mais baixo observado desde fins de janeiro.
Anteriormente reconhecido como o principal consumidor de aço do país, o setor imobiliário chinês atravessa um período de contração contínua desde meados de 2021, caracterizado pela desvalorização dos imóveis e pela diminuição nas transações de compra e venda, fatores que repercutem diretamente na procura por minério de ferro e produtos do segmento siderúrgico.