O investidor global Flacks Group planeja uma capacidade anual de produção de 6 milhões de toneladas métricas de aço para a siderúrgica estatal italiana Acciaierie d’Italia, utilizando dois fornos elétricos a arco e um alto-forno, conforme revelou o presidente Michael Flacks à S&P Global Energy nesta segunda-feira.
A empresa, especializada na aquisição e reestruturação operacional de negócios em dificuldades de médio a grande porte, entrou em negociações exclusivas com os comissários especiais responsáveis pela venda da ADI, antiga Ilva, na semana passada.
“Em Taranto, estamos planejando uma capacidade combinada de produção de 2 milhões de toneladas por ano para cada forno elétrico, totalizando 4 milhões de toneladas via fornos elétricos, e um alto-forno capaz de produzir aproximadamente 2 milhões de toneladas anuais de aço”, explicou Flacks. Segundo ele, manter um alto-forno é “absolutamente necessário” para preservar a capacidade de produzir aço de alta qualidade, especialmente para a indústria automotiva, energética e naval.
As principais matérias-primas para os fornos elétricos serão ferro reduzido diretamente (DRI) e ferro briquetado a quente (HBI), junto com sucata. O plano original considera o uso de gás natural para reduzir pelotas de minério de ferro, com tecnologia preparada para eventual substituição por hidrogênio. Após 2035, o projeto visa uma transição para um processo de DRI baseado em hidrogênio, que combinado com eletricidade verde poderia permitir uma redução de 90%-95% nas emissões de CO₂.
O acordo em discussão envolveria o governo italiano permanecendo como parceiro estratégico com 40% de participação, enquanto o Flacks Group teria opção de adquirir outros 40% posteriormente. O plano também prevê a retenção de aproximadamente 8.500 trabalhadores qualificados, descritos por Flacks como o “maior ativo” da ADI.