Rio Tinto e Glencore negociam fusão para criar gigante do cobre e trading

Rio Tinto e Glencore negociam fusão para criar gigante do cobre e trading

As mineradoras Rio Tinto e Glencore confirmaram em 8 de janeiro que estão em negociações para uma possível fusão, movimento que criaria uma nova potência global no setor de cobre e uma força dominante no comércio de commodities.

A combinação uniria dois gigantes com operações complementares: a Rio Tinto, segunda maior produtora mundial de minério de ferro com 298,1 milhões de toneladas (12% da produção global) em 2024, e a Glencore, quarta maior produtora de cobre com 1 milhão de toneladas (4,4% do mercado global). Juntas, as empresas representariam 7,2% da produção mundial de cobre, podendo ultrapassar concorrentes diretos no setor.

Analistas apontam que a fusão enfrenta importantes desafios, especialmente quanto às diferenças culturais entre as empresas e ao escrutínio regulatório. A Glencore é reconhecida por sua expertise em trading de commodities, segmento que gerou US$ 3,8 bilhões em EBITDA ajustado em 2024, de um total de US$ 14,4 bilhões da empresa. Já a Rio Tinto, além do minério de ferro, produziu 3,3 milhões de toneladas de alumínio no mesmo período.

O anúncio ocorre após outro movimento significativo de consolidação no setor: a fusão planejada entre Anglo American e Teck, revelada em setembro. Especialistas veem esses movimentos como sinais de um possível superciclo de commodities e como resposta à escassez de novos projetos minerais em desenvolvimento.

Para o Brasil, maior exportador global de minério de ferro, a possível consolidação pode alterar a dinâmica competitiva do setor. A Vale, principal concorrente da Rio Tinto no segmento de minério de ferro, acompanha com atenção os desdobramentos, já que a expertise da Glencore em trading poderia fortalecer a presença da Rio Tinto no mercado global de minério.