A capacidade global de produção de aço deve atingir 2,55 bilhões de toneladas métricas até o final de 2025, criando um excesso de 680 milhões de toneladas e intensificando disputas comerciais entre os principais produtores mundiais, segundo relatório da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
A expansão da capacidade siderúrgica global ocorre em seu ritmo mais acelerado desde 2009, pressionando preços e provocando uma onda de medidas protecionistas. Projeções indicam que Ásia e Oriente Médio adicionarão mais 109 milhões de toneladas métricas até 2028, agravando o desequilíbrio estrutural do setor.
Na Índia, segundo maior produtor mundial de aço, a produção deve crescer em 11,4 milhões de toneladas métricas em 2026, partindo de uma base estimada de 154 milhões em 2025. O país asiático mantém sua meta ambiciosa de alcançar 300 milhões de toneladas de capacidade até 2030 e 500 milhões até 2047, apoiada por uma iniciativa de 50 bilhões de rúpias (US$570 milhões) para tecnologias limpas de produção.
O excesso de oferta já pressiona os preços no mercado indiano. O aço plano cortado sob medida IS2062 (2,5-10 mm) caiu 18,9%, de 52.750 rúpias por tonelada (US$586) em maio para 42.800 rúpias em dezembro, segundo avaliação da Platts, divisão da S&P Global Energy.
A China, maior produtor mundial, enfrenta um excedente agravado pela fraca demanda doméstica e caminha para um recorde de exportações em 2025. Em resposta, mercados como Vietnã iniciaram investigações antidumping, enquanto os Estados Unidos dobraram suas tarifas para 50% em abril, impulsionando investimentos locais, como os US$11 bilhões anunciados pela US Steel até 2028.
A União Europeia, que já perdeu 65 milhões de toneladas de produção desde 2018, planeja dobrar suas tarifas de importação para 50% a partir de junho de 2026 e reduzir em 47% suas cotas de importação livre de tarifas, limitando-as a 18,3 milhões de toneladas. Entre janeiro e outubro de 2025, a produção do bloco caiu 3,4% na comparação anual, atingindo 105,7 milhões de toneladas.
O cenário de sobrecapacidade prejudica investimentos em descarbonização, especialmente na Europa, onde fabricantes suspenderam aportes necessários para reduzir as emissões em um dos setores mais intensivos em carbono do continente.