EUA e União Europeia estão intensificando esforços para proteger suas cadeias de suprimentos de minerais críticos, com especialistas prevendo aceleração dessas iniciativas em 2026, em resposta ao controle chinês sobre a maior parte da capacidade global de processamento desses materiais.
Empresas estatais chinesas dominam a extração e processamento de minerais críticos, conferindo a Pequim controle sobre a fabricação de tecnologias renováveis avançadas, incluindo veículos elétricos, painéis solares fotovoltaicos, turbinas eólicas e eletrolisadores de hidrogênio. Em reação, autoridades americanas e europeias lançaram iniciativas governamentais que incluem diversificação de cadeias de suprimentos, estabelecimento de estoques estratégicos e expansão das capacidades domésticas de processamento e reciclagem.
Nos EUA, agências federais lançaram $134 milhões em oportunidades de investimento para terras raras e adquiriram participações em empresas privadas. Destaca-se a parceria entre o Departamento de Defesa e a MP Materials, com investimento de $400 milhões em equity, empréstimo de $150 milhões e contrato de fornecimento por 10 anos. O Departamento de Energia também investiu na Lithium Americas, adquirindo 5% da empresa para financiar uma instalação de fabricação de carbonato de lítio em Nevada.
A União Europeia ratificou em 2024 a Lei de Matérias-Primas Críticas, que estipula que não mais de 65% do consumo anual de qualquer matéria-prima estratégica deve vir de um único país terceiro. O bloco também publicou uma lista de 47 projetos estratégicos, com investimento de capital esperado de €22,5 bilhões ($24,35 bilhões), e planeja mobilizar até €3 bilhões em financiamento nos próximos 12 meses para projetos que possam reduzir suas dependências de importação em até 50% até 2029.
O Brasil figura entre os países com os quais a UE iniciou negociações para estabelecer parcerias em minerais críticos, juntando-se a nações como África do Sul, Namíbia, Argentina, Chile e Canadá. Esses acordos visam fortalecer as cadeias de suprimentos e reduzir barreiras ao investimento europeu em projetos estrangeiros de minerais críticos, criando oportunidades para empresas brasileiras do setor de mineração que possam suprir a crescente demanda ocidental.