Minério australiano deve manter competitividade apesar do avanço de Simandou

Minério australiano deve manter competitividade apesar do avanço de Simandou

O minério de ferro da região de Pilbara na Austrália deve manter sua posição competitiva na cadeia de suprimentos siderúrgicos da China em 2026, apesar da chegada iminente do minério de Simandou, na Guiné, conforme análises do mercado divulgadas nesta segunda-feira.

Especialistas e fontes do mercado indicam que as restrições logísticas e o aumento gradual de produção limitarão o impacto imediato do minério africano de alto teor (65% Fe), com previsão de envio de apenas 15 a 20 milhões de toneladas em 2026. O primeiro carregamento de 200 mil toneladas de Simandou já foi enviado para a China, mas levou 22 dias para ser completado, enquanto o tempo normal seria de dois a três dias.

A Rio Tinto, que opera tanto o projeto Simandou quanto minas na região de Pilbara, projeta uma produção de apenas 5 a 10 milhões de toneladas anuais para 2026, bem abaixo da capacidade planejada de 60 milhões de toneladas. Analistas do RBC Capital Markets consideram que o plano de ampliação de 30 meses é “tecnicamente ambicioso” e que um prazo de 48 a 60 meses seria mais realista, o que adiaria o impacto significativo para 2029.

O mercado não espera impacto substancial nos preços em 2026, com a S&P Global Energy prevendo uma média de $100 por tonelada seca para o índice IODEX, comparado aos atuais $108,50. A mudança nas especificações do Platts, que atualizará a qualidade de referência do seu benchmark IODEX de 62% para 61% Fe a partir de 2 de janeiro de 2026, reflete a degradação confirmada na qualidade do minério australiano.

No longo prazo, porém, a expectativa é de intensificação do excedente de oferta a partir de 2027, quando o volume de Simandou poderá atingir entre 40 e 50 milhões de toneladas. Analistas da CERA projetam queda de 16% nos preços até dezembro de 2027, atingindo $89 por tonelada seca, o que poderá pressionar produtores com custos mais elevados, considerando que o custo sustentável varia entre $55 e $60 por tonelada.