Nesta quarta-feira, foi registrada uma modesta valorização nos futuros de minério de ferro pelo segundo dia seguido, desafiando indicadores que apontam para o enfraquecimento da demanda siderúrgica na China, principal centro consumidor deste insumo.
Segundo avaliação de Vivek Dhar, analista do Commonwealth Bank of Australia, a demanda no maior mercado mundial permanece sob pressão devido à atividade reduzida no setor imobiliário. Os dados mostram que novos projetos de construção – que representam cerca de um terço da demanda siderúrgica – sofreram contração de aproximadamente 21% durante os primeiros 11 meses deste ano. Também foi constatada uma redução nos investimentos em infraestrutura, outro componente essencial da demanda por aço, na comparação mensal de novembro.
Embora esses indicadores fundamentais se apresentem deteriorados, Dhar observa que as cotações do minério têm exibido uma “notável resiliência”. Este suporte aos preços deriva principalmente de questões relacionadas ao fornecimento, com destaque para o embate comercial entre a empresa estatal China Mineral Resources Group Co. e a mineradora BHP Group, situação que tem suscitado apreensões quanto a uma possível restrição de oferta no mercado a curto prazo.
Nas semanas recentes, as cotações têm se mantido em um intervalo limitado, apesar do declínio sazonal verificado no setor siderúrgico. Dhar projeta que, com o agravamento das pressões negativas sobre a demanda e a expectativa da nova produção proveniente do projeto Simandou, localizado na Guiné, as cotações poderão eventualmente romper o patamar de US$ 100 por tonelada em sentido descendente.
Uma análise ainda mais cautelosa foi apresentada pelo Westpac Banking Corp. O banco australiano comunicou em relatório divulgado na terça-feira que “existem todas as condições para uma correção no mercado de minério de ferro”. A instituição financeira enfatizou que o descompasso entre a elevação dos custos dos insumos siderúrgicos australianos e a redução dos preços do aço na China alcançou sua maior amplitude desde meados de 2024.